Processos cognitivos envolvidos na alfabetização
- 2 de jul. de 2025
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Processos Cognitivos envolvidos na Alfabetização
A Alfabetização é um dos processos mais significativos do desenvolvimento infantil, pois permite que a criança compreenda, interprete e produza textos de maneira significativa. Mais do que um simples ato de decodificar letras e palavras, a alfabetização é uma construção cognitiva, social e cultural, que envolve processos complexos de aprendizagem. Segundo Magda Soares (2003), a alfabetização vai além da aquisição técnica da leitura e escrita, pois abrange o letramento, ou seja o uso efetivo da linguagem escrita nas prÔticas sociais.
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A aquisição da leitura e escrita estĆ” diretamente relacionada a processos cognitivos fundamentais, como atenção, memória, consciĆŖncia fonológica e funƧƵes executivas, que funcionam de forma integrada para garantir que a crianƧa decodifique sĆmbolos grĆ”ficos e atribua significados Ć s palavras. EmĆlia Ferreiro (1989) e Ana Teberosky (1984)Ā revolucionaram a compreensĆ£o sobre esse aprendizado ao introduzirem a Teoria PsicogenĆ©tica da Escrita, baseada nos estudos de Jean Piaget. Segundo elas, a alfabetização ocorre em estĆ”gios cognitivos, durante os quais a crianƧa constrói hipóteses sobre o funcionamento do sistema de escrita, atĆ© compreender sua estrutura formal.
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Dentro desse contexto, a neuroaprendizagemĀ desempenha um papel crucial no estudo da alfabetização, pois investiga como o cĆ©rebro processa, armazena e recupera informaƧƵes linguĆsticas. A neuroaprendizagem baseia-se em princĆpios da neurociĆŖncia cognitiva, e explica que a alfabetizaçãoĀ modifica circuitos neurais, reforƧando conexƵes entre Ć”reas como o giro fusiforme,Ā que reconhece palavras, e o córtex prĆ©-frontal , que auxilia naĀ interpretação textualĀ (Dehaene, 2009). Ā
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Segundo a neuroaprendizagem, a alfabetização nĆ£o ocorre de formaĀ automĆ”tica, mas sim por meio de adaptação neural e do fortalecimento de conexƵes entre diferentes Ć”reas do cĆ©rebro. Stanislas Dehaene (2009) afirma que a leitura exige uma reorganização cerebral, onde Ć”reas originalmente destinadas ao processamento visual e auditivo passam a integrar o reconhecimento de sĆmbolos grĆ”ficos e sua conversĆ£o em sons.
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Os principais processos cognitivos envolvidos na alfabetização são: Atenção, Memória, Consciência fonológica e Funções executivas. Esses mecanismos são fundamentais para que a criança se torne um leitor fluente e um escritor competente, e seu desenvolvimento depende de prÔticas pedagógicas eficazes que respeitem as particularidades do funcionamento cerebral. Em seguida, vou explanar cada um desses processos cognitivos, como atuam na alfabetização e quais estratégias podem ser utilizadas para fortalecer esse aprendizado.
1.    Atenção: A base da Leitura e Escrita
Ā A atenção Ć© fundamental para o aprendizado da leitura e escrita, porque Ć© o processo cognitivo que permite Ć crianƧa focar, selecionar informaƧƵes relevantes e ignorar distraƧƵes. Sem atenção, o cĆ©rebro nĆ£o consegue processar adequadamente os estĆmulos visuais e sonoros da linguagem, tornando a alfabetização muito mais difĆcil. Temos trĆŖs tipos de atenção envolvidos nesse processo: Atenção seletiva, atenção sustentada e atenção dividida.
1.Ā Ā Atenção Seletiva: Ć© um dos processos cognitivos mais importantes para a alfabetização. Ela permite que a crianƧa focalize nas informaƧƵesĀ relevantesĀ da leitura e escrita, ignorando estĆmulos externos que possam atrapalhar o aprendizado. Sem essa habilidade, a crianƧa poderĆ” ter desafios para diferenciar letras, reconhecer palavras, seguir a sequĆŖncia de um texto e construir frases de forma organizada.
Segundo Stanislas Dehaene (2009), a atenção seletiva Ć© regulada pelo córtex prĆ©-frontal, que ajuda a crianƧa a filtrar os estĆmulos relevantes e a focar na tarefa que estĆ” realizando, e durante a leitura, o cĆ©rebro precisa excluir distraƧƵes visuais e sonoras para interpretar palavras de forma eficiente. Isso significa que a atenção seletiva garante que a crianƧa consiga manter o foco na estrutura da escrita, evitando erros e melhorando a compreensĆ£o.
           Se essa habilidade estiver comprometida, a criança pode:
Ā· Trocar ou confundir letras semelhantes, como ābā e ādā ā āpā e āqā.
Ā·Ā Apresentar dificuldades para manter o fluxo da leitura, pulando palavras ou frases.
Ā·Ā Perder o sentido de um texto ao se distrair com estĆmulos externos.
Ā·Ā Acompanhe uma sequĆŖncia de leitura, sem perder o significado do texto.
A atenção seletiva Ć© essencial para que a crianƧa aprenda a ler e escrever com fluidez, precisĆ£o e compreensĆ£o. Com estratĆ©gias certas, Ć© possĆvel fortalecer essa habilidade e garantir um aprendizado mais eficiente e envolvente!
2.Ā Atenção Sustentada: permite que a crianƧa mantenha o foco na leitura eĀ escrita por perĆodos prolongados, garantindo a compreensĆ£o textual e a organização da produção escrita. Sem essa habilidade, a crianƧa pode perder o sentido do texto, pular palavras ou frases, ou ter dificuldades na construção de frases coerentes.Ā Essa habilidade Ć© controlada pelo córtex prĆ©-frontal,Ā que regula o foco e a resistĆŖncia a distraƧƵes. O processo da leitura exige que diferentes regiƵes do cĆ©rebro permaneƧam ativas simultaneamente por tempo suficiente para interpretar o conteĆŗdo.
Se essa habilidade não estiver bem desenvolvida, a criança poderÔ:
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ler mecanicamente sem absorver o significado
·       Perder a sequência lógica ao escrever um texto.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ter dificuldades para concluir atividades escolares.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Escrever frases sem coerĆŖncia devido Ć falta de continuidade no raciocĆnio.
3.Ā Ā Ā Ā Atenção dividida Ć© um processo cognitivo que possibilita Ć crianƧa gerenciar mĆŗltiplas informaƧƵes simultaneamente, mantendo o foco em diferentes aspectos da leitura e escrita. Esse mecanismo garante que ela consiga ler, interpretar, escrever e organizar seu pensamento ao mesmo tempo, integrando estĆmulos visuais, auditivos e linguĆsticos. A atenção dividida Ć© essencial para a fluĆŖncia da leitura e escrita, permitindo que a crianƧa processe e organize informaƧƵes de forma eficaz. Dehaene (2009), destaca que, ao ler, diferentes Ć”reas do cĆ©rebro se ativam simultaneamente para reconhecer palavras, associar sons, compreender o significado e estruturar frases. Sem essa habilidade, a crianƧa poderĆ” ter desafios em processar e relacionar as informaƧƵes, comprometendo a fluidez da leitura e da escrita.
Se essa habilidade não estiver bem desenvolvida, a criança poderÔ:
·       Realizar uma leitura sem compreensão do que estÔ lendo.
·       Perder a sequência de um texto ao não conseguir integrar informações.
·       Escrever frases sem coesão, pois não consegue organizar ideias enquanto escreve.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ter dificuldades em seguir instruƧƵes que envolvem mĆŗltiplos estĆmulos ao mesmo tempo.
Os processos cognitivos de atenção sustentada, dividida e seletiva sĆ£o regulados por diversas Ć”reas do cĆ©rebro, especialmente no córtex prĆ©-frontal,Ā no córtex parietal e em regiƵes subcorticaisĀ que desempenham papel essencial na modulação da atenção.Ā
Para estimular as Ôreas cerebrais envolvidas na atenção seletiva, sustentada e dividida na alfabetização, é fundamental adotar estratégias pedagógicas que ativem o córtex pré-frontal, o córtex parietal e o sistema reticular ativador.
Para estimular o córtex pré-frontal, onde estÔ o controle da atenção e funções executivas:
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Atividades de planejamento antes da escrita ā Incentive a organização das ideias em mapas mentais antes de produzir um texto.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Jogos de memória e atenção ā Como āStop das palavras proibidasā, onde a crianƧa precisa ler e evitar pronunciar certas palavras.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Leitura guiada com perguntas reflexivas ā Ajuda a focar no significado, ativando a atenção seletiva e o processamento executivo.
Treinando o córtex parietal, onde acontece a filtragem de estĆmulos sensoriais e organização visual da escrita.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā CaƧa-palavras e atividades de rastreamento visual ā Melhora a atenção seletiva e reduz erros na leitura.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ditado com imagens ā Associa estĆmulos visuais e linguĆsticos, ajudando na escrita com maior precisĆ£o.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Montagem de palavras com letras móveis āĀ Fortalece a capacidade de identificar padrƵes linguĆsticos e ignorar distraƧƵes.
Fortalecimento do sistema reticular ativador, onde estÔ a manutenção da atenção sustentada e o estado de alerta cognitivo.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā ExercĆcios de leitura prolongadaĀ ā Aumente gradativamente o tempo de leitura para desenvolver resistĆŖncia cognitiva.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Histórias com reconstrução de texto ā PeƧa para a crianƧa criar um diĆ”rio, estimulando a atenção sustentada ao longo dos dias.
A alfabetização é impulsionada por uma rede integrada de atenção no cérebro, e o uso de estratégias corretas fortalece essas conexões neurais, tornando o aprendizado mais prazeroso e significativo.
2.    Funções Executivas
As funções executivas são um conjunto de habilidades cognitivas fundamentais para a alfabetização. Elas permitem que a criança planeje, controle impulsos, ajuste estratégias de aprendizado e mantenha a atenção na leitura e escrita. Essas funções são reguladas pelo córtex pré-frontal, uma das Ôreas mais desenvolvidas do cérebro humano. As habilidades cognitivas que fazem parte das funções executivas, são: Planejamento e Organização, Controle Inibitório, Flexibilidade cognitiva e Memória de Trabalho.
Na alfabetização, as funções executivas ajudam a criança a estruturar pensamento, focar no texto, seguir regras ortogrÔficas e interpretar informações.
1.Ā Ā Ā Ā Planejamento
O planejamento é uma das funções executivas que permite que a criança organize ideias e pensamentos, estruture ideias e ações antes de executar uma tarefa, e siga uma lógica ao longo da produção textual. No contexto da alfabetização, essa habilidade envolve a capacidade de antecipar passos, definir objetivos e estabelecer estratégias antes de iniciar uma leitura ou uma produção escrita. Ele permite que a criança:
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Organize frases antes de escrever, garantindo coerĆŖncia textual.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Planeje a leitura, identificando o objetivo antes de iniciar.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Estruture argumentos ao produzir textos narrativos ou descritivos.
Sem planejamento, a escrita pode se tornar desorganizada e a leitura sem direcionamento, dificultando assim a compreensão. Uma estratégia muito eficiente para estimular o planejamento é:
·       Mapas mentais antes da escrita: Ensine a criança a desenhar um esquema visual das ideias, para facilitar a organização do texto.
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2.    Controle Inibitório
Ć uma função executiva que permite que a crianƧa, regule impulsos, evite distraƧƵes e siga regras ortogrĆ”ficas durante a leitura e escrita. Essa habilidade ajuda a manter o foco na tarefa, inibir respostas automĆ”ticas inadequadas e evitar erros que podem comprometer a compreensĆ£o textual e a coerĆŖncia da escrita. Essa função executiva e regulada pelo córtex prĆ©-frontal, especialmente na regiĆ£o ventromedial, que Ć© responsĆ”vel pelo controle da impulsividade e regula o comportamento. Segundo Diamond (2013), um controle inibitório bem desenvolvido permite que a crianƧa pense antes de agir, filtrando informaƧƵes irrelevantes e garantindo que ela siga normas linguĆsticas com precisĆ£o.
A importância do controle inibitório na leitura e escrita:
·       Mantém a concentração na leitura, impede que a criança pule palavras ou frases, garantindo melhor compreensão.
·       Evita erros ortogrÔficos impulsivos, pois ajuda a criança a revisar palavras antes de escrevê-las.
·       Desenvolve disciplina na escrita, ensina a seguir regras gramaticais e evitar redundâncias.
·       Melhora a construção textual, evita repetições desnecessÔrias e ajuda na organização do pensamento.
Para fortalecer essa habilidade, é essencial incluir atividades que desenvolvam foco, autorregulação e precisão na leitura e escrita.
 Os jogos são um grande aliado para estimular as funções executivas, para o controle inibitório podemos utilizar jogos que ensinem a criança a esperar a sua vez e a seguir regras, que desafiem a planejar e a controlar as suas ações, promovendo a atenção e foco.
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3.Ā Ā Ā Ā Flexibilidade Cognitiva
A flexibilidade cognitiva auxilia a crianƧa a adaptar estratĆ©gias de leitura e escrita conforme enfrenta novos desafios linguĆsticos. No contextoĀ da alfabetização, essa habilidade permite que a crianƧa consiga alternar entre diferentes regras ortogrĆ”ficas, interpretar mĆŗltiplos significados das palavras e ajustar sua compreensĆ£o de textos diversos. A flexibilidade cognitiva Ć© essencial para que ela aprenda a ler e escrever com autonomia e criatividade, garantindo que ela consiga interpretar textos diversos e construir frases coerentes. Abaixo estĆ” a importĆ¢ncia da flexibilidade cognitiva na leitura e escrita:
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā CompreensĆ£o das palavras novas ā Ajuda a crianƧa a formular hipóteses sobre o significado de termos desconhecidos com base no contexto.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Adaptação a diferentes tipos de textos āĀ Permite que a crianƧa mude sua abordagem ao ler gĆŖneros variados, como narrativos, descritivos e informativos.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Correção e revisĆ£o de erros āĀ Estimula a capacidade de reconhecer e ajustar erros ortogrĆ”ficos ou gramaticais sem resistĆŖncia cognitiva.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā FluĆŖncia na escrita āĀ Contribui para que a crianƧa mantenha a coerĆŖncia textual e se adapte a novas regras e exigĆŖncias linguĆsticas.
Para fortalecer essa habilidade é essencial incluir atividades que exijam adaptação mental e mudança de estratégias.
4.    Memória de Trabalho
A memória de trabalho é uma habilidade que auxilia a criança a reter, manipular e processar informações temporÔrias, enquanto realiza uma atividade. Essa habilidade é fundamental para que a criança consiga decodificar palavras, construir frases coerentes, manter o fluxo de pensamento e integrar novas informações. Essa função executiva é regulada pelo córtex pré-frontal dorsolateral, uma das Ôreas mais importantes do cérebro para processamento de informações. A memória de trabalho atua como um sistema temporÔrio de retenção, permitindo que a criança mantenha palavras e conceitos em mente enquanto lê ou escreve, sem perder o sentido do texto. O papel da memória de trabalho no processo da leitura e escrita se mostra importante pois permite a criança realizar:
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Decodificação de palavras ā Auxilia a crianƧa a manter os sons da fala na mente enquanto os associa Ć s letras.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā CompreensĆ£o de SentenƧas ā Ajuda a manter significado de uma frase atĆ© seu tĆ©rmino, garantindo fluidez na leitura.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Construção de frases na escrita ā MantĆ©m palavras e regras ortogrĆ”ficas enquanto a crianƧa organiza as ideias no texto.
Quando hƔ comprometimento nessa habilidade, a crianƧa poderƔ mostrar:
·       Dificuldade na retenção de informações durante a leitura.
Ā·Ā Ā Ā Ā Ā Ā Ā Esquecer palavras-chave no meio de uma frase.
·       Construir textos fragmentados e sem estrutura lógica.
·       Apresentar dificuldades na escrita devido à perda rÔpida de conceitos antes de organizÔ-los.
Para fortalecer essa habilidade, Ć© importante incluir atividades que exijam retenção temporĆ”ria de informaƧƵes e integração de novos conceitos Ć linguagem, como por exemplo: Jogo de repetição linguĆstica, atividades de sequĆŖncia narrativa, mapas mentais para estruturar a escrita.
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A alfabetização Ć© um salto evolutivo no desenvolvimento humano ā nĆ£o apenas um ato de aprender letras e sons, mas um processo neurocognitivo que transforma profundamente o cĆ©rebro, o comportamento e a forma de estar no mundo. Como afirmam Ferreiro e Teberosky (1984), a crianƧa nĆ£o aprende mecanicamente a ler e escrever; ela constrói hipóteses mentais sobre a linguagem escrita, acionando processos cognitivos complexos.
Memória de trabalho, atenção seletiva e sustentada, controle inibitório, flexibilidade cognitiva e , sobretudo, a consciĆŖncia fonológica sĆ£o os pilares invisĆveis que sustentam o ato de ler e escrever. Sem essas engrenagens mentais operando em sincronia, a alfabetização se fragmenta. Stanislas Dehaene (2009) nos mostra, por meio da neurociĆŖncia cognitiva, que aprender a ler reconfigura circuitos cerebrais inteiros, unindo Ć”reas do reconhecimento visual, auditivo e semĆ¢ntico.
A neuroaprendizagem traz a base cientifica: o cĆ©rebro Ć© plĆ”stico, aprende pela repetição significativa e precisa de estĆmulos adequados para formar conexƵes sólidas. JĆ” a neuropsicopedagogia amplia esse olhar, conectando emoƧƵes, contextos sociais e prĆ”ticas pedagógicas. Ela propƵe intervenƧƵes que respeitam o tempo neural da crianƧa, individualizando o ensino para que o aprender aconteƧa com sentido.
Portanto compreender os processos cognitivos é o primeiro passo para garantir que toda criança não apenas leia palavras, mas se aproprie do seu lugar no mundo por meio delas.
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Cristiane Dluhosch
Pedagoga ā Psicopedagoga
Especialista em Intervenção
Estimulação e Reabilitação Cognitiva
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FERREIRO , Emilia ; TEBEROSKY, Ana, Los sistemas de escritura en el desarrolho del niño :Editora brasileira: Artmed/ Artes Médicas 1984
FERREIRO, Emilia , Os filhos do Analfabetismo, Artmed 1989
DIAMOND, Adele ,Ā Exexutive Functions,Ā Annual Review ofĀ Psychology, volume 64 paginas 135-168, 2013
DEHAENE, Stanilas : Os NeurÓnios d Leitura: Como a Ciência Explica a Nossa Capacidade de Ler.
BADDELEY, Alan , The episodic buffer: a new compenente of working memory. ,Ā Trends in Cognitive Sciences , volume 4, nĆŗmero 11 ano 2000.
SOARES, Magda : Alfabetização e Letramento, Editora Contexto 2003.
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